Assistimos a Pânico 7, novo capítulo de uma das franquias mais importantes do terror moderno. O filme chega com a missão de reposicionar sua personagem mais icônica no centro da história após dois longas liderados por Melissa Barrera e Jenna Ortega, que deixaram a produção em meados de 2024 e falaram publicamente sobre o assunto.
A proposta é clara: reconectar o público com as origens da saga enquanto tenta construir uma nova fase.
O retorno de Sidney Prescott

Sidney Prescott volta a ocupar o protagonismo, novamente interpretada por Neve Campbell. Agora mais madura, ela vive longe de Woodsboro, cidade marcada pelos assassinatos desde 1996. Sidney tenta manter uma rotina tranquila ao lado da família.
Dona de uma cafeteria e casada com um chefe de polícia, ela busca apagar os traumas do passado e proteger sua filha, Tatum, vivida por Isabel May. O nome da jovem carrega uma homenagem a uma amiga assassinada por Ghostface nos primeiros ataques.
O problema é que o passado nunca permanece enterrado. Um novo Ghostface surge, ameaçando pessoas próximas e iniciando uma nova série de assassinatos, incluindo amigos da filha de Sidney.
O problema é que o passado nunca permanece enterrado. Um novo Ghostface surge, ameaçando pessoas próximas e iniciando uma nova série de assassinatos, incluindo amigos da filha de Sidney.
Direção eficiente, roteiro questionável

Sob o comando de Kevin Williamson, o filme aposta em uma atmosfera mais sombria. A fotografia privilegia sombras, silhuetas e enquadramentos que destacam a presença intimidadora do assassino. Os jumpscares funcionam e há momentos de suspense genuinamente eficazes.
No entanto, quando analisado dentro do contexto dos 30 anos da franquia, o roteiro levanta questionamentos. Pânico 7 revisita elementos do primeiro Pânico e utiliza a nostalgia como principal motor narrativo. A presença de Matthew Lillard como Stu Matcher reforça essa tentativa de reconexão com o passado.
A intenção de reiniciar a história mais uma vez é perceptível. Sidney retorna não apenas para enfrentar o assassino, mas para reafirmar sua identidade e transmitir um legado. Contudo, esse legado em 2026 não apresenta uma atualização significativa que dialogue com o público contemporâneo.
O apagamento da fase anterior

Outro ponto evidente é o quase apagamento dos acontecimentos recentes da franquia. A saída das irmãs Carpenter impacta diretamente a narrativa. Mason Gooding e Jasmin Savoy Brown aparecem apenas como ligação entre as duas fases, em uma transição que parece apressada.
Também chama atenção a participação reduzida de Courteney Cox. Gale Weathers, personagem fundamental na construção da franquia, que teve diversos embates com o Ghostface e pode ser considerada uma das “final girls“, surge por poucos minutos, basicamente para reforçar a amizade com Sidney e lembrar a protagonista de quem esteve ao seu lado ao longo dos anos.
Mortes sem impacto e decisões controversas

Um dos maiores problemas do filme está na condução das mortes. O Ghostface desta vez não apresenta uma lógica narrativa consistente. Algumas vítimas não recebem desenvolvimento suficiente para que suas mortes tenham peso dramático. Outras simplesmente não fazem sentido dentro da construção da trama.
Há ainda escolhas que não soam adequadas para o momento atual da franquia. Certos personagens são eliminados de maneira que dificilmente será bem recebida pelo público. Em uma saga conhecida por transformar assassinatos em eventos marcantes, essa falta de impacto enfraquece a experiência.
Motivação repetida e sensação de desgaste

A motivação dos assassinos apresenta um bom ponto de partida, mas funciona de maneira completa apenas para um deles. A repetição da fórmula de casais movidos por obsessão e paixão já foi explorada anteriormente e, neste sétimo capítulo, transmite sensação de desgaste criativo.
Apesar disso, há momentos em que o suspense desperta curiosidade e faz o espectador querer revisitar o longa original para perceber conexões e detalhes sutis. No entanto, o desfecho compromete parte dessa construção e reduz o impacto final.
Vale a pena assistir?
No geral, Pânico 7 funciona melhor quando visto de forma isolada, como um thriller competente, do que como parte de uma franquia que já passou por múltiplas tentativas de reinvenção. A proposta de posicionar Sidney como transmissora definitiva do título de final girl é interessante, mas a execução soa mal construída e sem representatividade alguma (algo importante para um filme de 2026), considerando especialmente o contexto envolvendo a saída de Jenna Ortega e Melissa Barrera.
Nota: 6/10
Pânico 7 estreia nos cinemas nesta quinta-feira (26).
Confira o trailer:
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