Nessa quinta-feira (22), chega os cinemas Missão Impossível – O Acerto Final, o último capítulo da extensa franquia protagonizada por Tom Cruise. Após confrontar uma ameaça de inteligência artificial fora de controle conhecida como “A Entidade”, Ethan Hunt (Tom Cruise) e sua equipe do IMF continuam sua corrida contra o tempo para impedir que a tecnologia caia nas mãos erradas.
O início de Missão: Impossível – O Acerto Final é promissor. A narrativa apresenta uma ameaça crescente, maior do que qualquer outra já enfrentada por Ethan Hunt, e deixa claro que o próprio protagonista é, em parte, responsável por essa nova crise global. No entanto, da metade para frente, o longa começa a se perder, especialmente ao forçar situações que desafiam não só a física, mas também a lógica.

O filme abandona qualquer senso de realismo quando insiste em mostrar um Ethan Hunt quase sobre-humano. Ainda que seja um agente altamente treinado, com décadas de experiência, há cenas que simplesmente desafiam os limites do que um ser humano comum seria capaz de fazer. E tudo isso parece ter um propósito: exaltar a imagem construída por Tom Cruise ao longo dos 30 anos da franquia. O astro, que também é produtor do longa, faz questão de reforçar o poder e a habilidade de seu personagem a qualquer custo, mesmo que isso prejudique o roteiro.
É impossível ignorar a forte presença criativa de Tom Cruise na produção. Grande parte das ideias parece ter partido dele ou, no mínimo, passado por sua aprovação. Essa centralização criativa dificulta a construção de uma narrativa mais equilibrada e coerente.

Outro ponto que pesa contra o filme é o excesso de saudosismo. A produção aposta constantemente em referências aos capítulos anteriores da saga, principalmente ao primeiro e ao terceiro, como uma tentativa de evocar nostalgia e levar o público a revisitar os filmes passados. Mas, ao invés de enriquecer a experiência, essas referências acabam contribuindo para a sensação de repetição e desgaste.
O desfecho, infelizmente, é decepcionante. O vilão, que vinha sendo construído desde o filme anterior, é derrotado de maneira simplista e pouco impactante. O confronto final entre Ethan e Gabriel (Esai Morales) carece de intensidade e se perde em meio a tantas cenas exageradas.
A tentativa de encerrar a história com um gancho eficiente falha, mais uma vez, por conta da insistência em transformar Ethan Hunt em um herói invencível, mesmo diante de ameaças humanamente impossíveis de serem enfrentadas.

Para quem acompanha a franquia desde o início, a recomendação é clara: talvez seja melhor preservar a memória construída ao longo das últimas décadas e parar por aqui. Rever os três primeiros filmes pode ser uma maneira mais satisfatória de encerrar essa história do que se frustrar com um final que falha em entregar o que prometeu.
Como dito acima, Missão: Impossível – O Acerto Final chega aos cinemas nessa quinta-feira (22).
Confira o trailer:
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