O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou uma onda de incertezas na indústria cinematográfica ao anunciar um plano para impor tarifas de 100% sobre filmes produzidos fora dos Estados Unidos.

    A proposta, ainda sem detalhes sobre sua aplicação prática, foi recebida com descrença por produtores, estúdios e autoridades culturais da Europa e de outras regiões onde Hollywood tradicionalmente realiza suas produções.

    De acordo com a Variety, medida pode desestabilizar toda a cadeia produtiva. A indústria global de cinema funciona em um modelo interdependente. Filmes americanos são frequentemente filmados no Reino Unido, França, Alemanha, Hungria e Itália, aproveitando incentivos fiscais, infraestrutura técnica e locações variadas.

    “Implica que filmes americanos precisariam ser obrigatoriamente rodados nos EUA. É um anúncio absurdo, sem compreensão criativa ou logística”, criticou um produtor britânico.

    Mesmo grandes franquias como Missão: Impossível, Harry Potter e Senhor dos Anéis foram parcialmente filmadas fora dos EUA. A nova tarifa poderia impactar desde blockbusters até filmes independentes.

    Isso entra em contradições dentro da própria gestão Trump. O ator Mel Gibson, um dos “embaixadores especiais” de Hollywood nomeados por Trump ao lado de Sylvester Stallone e Jon Voight, está planejando rodar a sequência de A Paixão de Cristo na Itália.

    Donald Trump em Esqueceram de Mim (Reprodução)
    Donald Trump em Esqueceram de Mim (Reprodução)

    A CEO do estúdio italiano Cinecittà, Manuela Cacciamani, afirmou em nota: “Estamos convencidos de que, especialmente na indústria cultural – e o setor audiovisual está em sua vanguarda – as trocas entre os países devem ser o mais recíprocas e circulares possível“.

    Isso pode gerar temor de retaliações e guerra comercial no setor cultural. Profissionais do setor temem uma possível retaliação dos países europeus, o que pode gerar uma guerra tarifária também no cinema.

    Um agente de vendas de Madri avaliou que distribuidores europeus podem passar a investir mais em filmes locais, e o público europeu pode se afastar dos títulos americanos.

    Além disso, na França, o presidente do Conselho Nacional de Cinema, Gaeten Bruel, afirmou que os EUA têm muito a perder pois os filmes norte-americanos representam 60% do conteúdo consumido na Europa.

    O mercado ainda aguarda detalhes oficiais sobre quando e como as tarifas seriam implementadas. E o temor se estende também ao uso crescente de inteligência artificial como alternativa barata à filmagem presencial.

    Trump ainda não anunciou uma data de implementação nem as regras específicas para a tarifa. Enquanto isso, estúdios e associações setoriais, como a Motion Picture Association, se movimentam para entender os próximos passos.

    Autor

    • Sergio Scarpa

      Formado em Psicologia pela UNICEP, além de Técnico em Administração pela Industrial e cursando Redação Jornalística no SENAC. Comecei na redação em sites em 2018 e escrevo no E-Pipoca desde 2020. Escrevo sobre filmes, séries e animações, como também críticas e cobertura de novelas. Com um amor especial por monstros, super-heróis, desenhos animados e jogos. Contato: [email protected]


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    Formado em Psicologia pela UNICEP, além de Técnico em Administração pela Industrial e cursando Redação Jornalística no SENAC. Comecei na redação em sites em 2018 e escrevo no E-Pipoca desde 2020. Escrevo sobre filmes, séries e animações, como também críticas e cobertura de novelas. Com um amor especial por monstros, super-heróis, desenhos animados e jogos. Contato: [email protected]

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