Em Atena, suspense nacional de Caco Souza que mistura crítica social e ação, Carlos, interpretado por Thiago Fragoso, funciona como fio condutor entre a denúncia e a empatia pela protagonista, vivida por Mel Lisboa.
O ator, experiente em papéis de “mocinho”, assume aqui uma função moral delicada: a de um jornalista que começa investigando uma possível história e termina profundamente envolvido em uma trama de dor, violência e justiça.
Nesta entrevista para o E-Pipoca, Thiago falou sobre os bastidores do filme, a construção do personagem, sua relação com Mel Lisboa em cena e o que o motivou a aceitar o projeto.

A construção do personagem
Em um primeiro momento, o Carlos poderia ser um contraponto moral às ações da Atena. O que você acredita que fez com que ele virasse um apoio para ela? Como você justifica a escolha dele em relação ao comportamento da protagonista?
“O Carlos começa em busca da notícia, tem aquele olhar de jornalista, vai juntando os pedacinhos e só entende o quadro mais pra frente na trama. Ele é um jornalista, claro que tem a preocupação com isenção, mas a empatia fala mais alto. O filme fala de questão muito atuais e chocantes mas não vejo como uma trama realista. Fundamental ter um personagem masculino que esteja de contraponto a violência misógina”.
Como foi sua pesquisa para interpretar um jornalista que se depara com uma história tão inusitada e perigosa? Você conversou com profissionais da área?
“Eu já fiz jornalistas, antes, ou seja, já tinha algum conhecimento dos bastidores da profissão… Fora amigos e familiares que escolheram a profissão. Acho que todo mundo minimamente informado tem uma relação com essa ideia da imprensa, suas funções e importância. Dentro de uma trama contemporânea acho que a função da imaginação do ator fica ainda mais importante”.
Qual a sua visão sobre a ética jornalística em casos como o retratado no filme, onde a busca pela verdade se mistura com questões de moralidade e justiça individual?
“Como eu disse, é uma alegoria, não vejo como uma trama realista. Eu me vejo torcendo pela vigilante. Na vida real, o Carlos teria que fazer a denúncia. Estamos falando de crimes muito sérios”.

A experiência em trabalhar no filme
O filme se passa em Gramado. A ambientação da cidade influenciou a forma como você abordou seu personagem ou a dinâmica das cenas?
“É uma cidade inspiradora! Acho que o clima acabou impresso no filme. Tem essa pegada gelada… O filme é zero tropical. (rsrs)”
O Carlos, seu personagem está no centro moral da história, observando e interagindo com as ações de Atena. Fazer mocinho pra você não é mais novidade, mas e fazer um filme de suspense com uma narrativa e visuais mais sombrios? O que você mais curtiu nessa experiência?
“O Carlos é um personagem que não tem grandes arroubos emocionais, também não exige uma composição específica. O tema da violência contra a mulher e a metáfora de uma Atena empoderada me conquistaram. A pegada sombria do roteiro e o talento do Caco é que me fizeram mergulhar. A função narrativa do personagem também me atraiu, essa espécie de imparcialidade que é superada mais pra frente”.
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Você teve alguma cena específica com Mel Lisboa que considera particularmente importante para o desenvolvimento da relação entre os personagens? Pode nos contar um pouco sobre ela?
“A Mel é uma grande atriz, super talentosa e estudiosa, profissional. Foi muito gratificante vê-la nesse registro. Acho que a cena do bar mais pro final onde a personagem abre o jogo é o divisor de águas”.
Como foi a direção de Caco Souza nesse projeto? Ele te deu liberdade para explorar o personagem ou tinha um direcionamento muito específico?
“O Caco é excelente. Consegue imprimir uma marca estética mas sem restringir o trabalho do ator. Conversamos muito sobre o roteiro antes das filmagens e dentro do set, também. Ele me deu muita liberdade”.
Quando você leu o roteiro, o que foi que fez com que você aceitasse o papel?
“A ideia do filme como um todo. Acho que é uma provocação importante sobre um tema que é urgente desde sempre. Gosto de me envolver com obras que ecoem mazelas humanas e a violência contra a mulher é escandalosa”.

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A expectativa com Atena
O que você espera que o público leve para casa após assistir Atena, especialmente no que diz respeito à forma como seu personagem se posiciona na trama?
“Espero que possam levar a empatia do Carlos pra casa! Mas, antes de tudo, espero que curtam o filme e se divirtam. Se pintar aquela conversa sobre o filme após o cair dos créditos será lindo. Acho que esse momento é dos mais importantes… Quando a gente entende como a obra nos tocou”.
Atena, marcada por abusos do pai na infância, busca justiça em casos parecidos. Com a ajuda do jornalista Carlos, ela vai a Montevidéu para confrontar o passado e se vingar. O filme estreia nos cinemas nesta quinta-feira (31).
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