Fernanda Baronne é uma das vozes mais versáteis e queridas da dublagem brasileira. Desde criança, ela já se encantava com os desenhos animados e com o poder das vozes por trás dos personagens.
Ela dá vida a nomes icônicos como Velma de Scooby-Doo, Kim Possible, Vampira de X-Men: Evolution e até Scarlett Johansson em filmes como Lucy e Viúva Negra.
Nesta entrevista ao E-Pipoca, Fernanda relembra o início na dublagem, os desafios da profissão, personagens favoritas, o impacto da inteligência artificial e comenta, com bom humor e franqueza, sua paixão por esse universo que mistura voz, emoção e atuação.
O início da carreira

Você começou a dublar muito jovem, com apenas 10 anos. O que mais te encantava naquele universo quando era criança?
“Acho que o que sempre me encantou foi o ofício de atriz mesmo, a possibilidade que aquele veículo, a dublagem, dava da viver tantos personagens tão diferentes e com tanta frequência. Claro que eu assistia a muitos desenhos e as vozes daquele desenhos me acompanhavam: Caverna do Dragão, Scooby-Doo, She-ha, Duck Tales, Jem e as Hologramas… então, eu também sonhava em ser uma daquelas vozes”.
Sua mãe e sua irmã também são dubladoras. Como foi crescer em uma família tão envolvida com a arte da dublagem?
“Digamos que a gente fala bastante de trabalho (risos). Eu acho que o fato de as três trabalharem com isso nos aproxima muito. A dublagem, com certeza, é um dos elos mais fortes que nos une. Está no sangue de todas”.
Fernanda, você é dubladora ou artista de voz também? Pois fiquei sabendo que há diferença.
“Todo dublador é um artista de voz, mas nem todo artista de voz, é dublador. Eu me considero ambos”.
Um dublador é quem faz a voz de personagens em outro idioma, como filmes e desenhos estrangeiros, copiando a emoção e o movimento da boca do original. Já o artista de voz trabalha com diferentes tipos de gravação de voz — como animações, jogos e comerciais — e pode criar a atuação do zero.
Dublando grandes estrelas do cinema internacional

Você já deu voz a atrizes como Scarlett Johansson, Jennifer Garner, Anna Paquin e Charlize Theron. Existe alguma dessas atrizes com quem você sente mais identificação?
“Sem dúvida a Scarlett e a Jennifer. A Scarlett por conta de tantos e tantos projetos que eu tive o prazer de fazer sendo a voz dela desde ‘O Homem de Ferro 2’, e a Jennifer por uma total identificação com a energia dela”.
Scarlett Johansson é uma das atrizes que você dubla há mais tempo, ela é conhecida por papéis muito variados, desde ação até drama e ficção científica. Como você adapta sua interpretação para acompanhar essa versatilidade?
“Essa ‘adaptação’ é a habilidade que o dublador precisa ter para que a sua voz vista qualquer personagem. É uma mistura de esquecer o próprio ego com ter a capacidade de compreender o que foi feito originalmente pela atriz para seguir essa linha e ao mesmo tempo criar a sua versão”.
Existe alguma cena com a Scarlett que foi especialmente desafiadora ou marcante de dublar para você?
“Acho que o filme ‘Lucy’ foi um filme bem desafiador em geral. Principalmente o começo, quando ela sofre na mão dos criminosos”.
No mundo das animações

Entre tantos personagens icônicas, como Velma (Scooby-Doo), Kim Possible, Icy (Winx) e Vampira (X-Men: Evolution), Palmon (Digimon) tem alguma que seja sua favorita? Por quê?
“Acho que a Velma e a Kim Possible ocupam um lugar especial, eu adoro as duas! Me identifico com o jeito sabichão da Velma e com a proatividade da Kim. Mas a Vampira também é muito importante e marcou toda uma geração… é difícil de escolher”. (Risos)
Como foi para você assumir a dublagem da Velma em Scooby-Doo, uma personagem tão clássica e querida por várias gerações?
“Foi incrível e ao mesmo tempo muito difícil porque para mim a Velma era a Nair Amorim. Quando eu ganhei o teste, liguei pra ela pra pedir a benção dela e dizer que ela sempre seria a Velma no meu coração”.
Você já era fã de Scooby-Doo antes de dublar a Velma? Qual era sua relação com o desenho?
“Sim, eu cresci vendo Scooby-Doo! Era um dos meus desenhos preferidos. Eu só ficava chateada porque eu sempre sabia antes quem era o “monstro” já que eu reconhecia a voz do dublador”. XD
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Desafios e futuro da dublagem

Você prefere dublar pessoas de verdade ou personagens de animações?
“Não tenho preferência. Se for um bom personagem, pode ser como for que eu vou amar!”
Qual foi o maior desafio que você já enfrentou em um processo de dublagem?
“Acho que fazer a Carey Mulligan em Maestro. A personagem vai dos 30 aos 60 anos. Foi bem desafiador dar a diferença de idade pra idade sem cair no caricato, mas a direção carinhosa do Sérgio Cantu ajudou muito!”
Com a crescente presença da inteligência artificial, como você enxerga o futuro da dublagem no Brasil?
É difícil fazer qualquer prognóstico. Os dubladores, como grande parte da população, estão obviamente receosos sobre o que pode acontecer com a profissão, mas no meu coração, eu sinto que a IA jamais vai poder substituir de verdade um artista.
Qual é a sua opinião sobre a participação de influenciadores e atores não especializados em dublagem
“Não vejo problema em atores não especializados dublarem. São atores, né? Já influenciadores que não são atores, não acho legal. Mas é uma questão de marketing, né?”
Quais dubladores mais te inspiram?
“Marlene Costa, Flávia Saddy, Miriam Ficher, e Maíra Góes”.
Que conselho você daria para quem está começando agora na carreira de dublagem ou deseja entrar nesse universo?
“Estude muito para ser um bom ator e faça muito teatro! Assista ao máximo de filmes e séries que puder, e veja muito conteúdo dublado para identificar o que te agrada e o que não te agrada numa dublagem”.
Com carinho pela profissão e respeito pela arte de dar voz a tantas histórias, Fernanda Baronne mostra que, por trás de cada personagem marcante, existe sempre uma artista apaixonada pelo que faz.
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