John Wick sem dúvida se tornou uma das principais franquias de ação dos cinemas. Com o desfecho e a morte do personagem no 4° filme, era óbvio que o universo fosse se expandir para novos rumos e foi o caso de Bailarina: Do Universo de John Wick. A ideia de fazer isso com uma nova protagonista no centro da ação até faz sentido, principalmente com a adição de uma mulher ao centro da trama – algo que não vimos ainda em filmes como 007, Missão: Impossível, entre outros que exaltam a masculinidade e o poder dos homens.

    Bailarina: Do Universo de John Wick nasce com essa missão e com Ana de Armas assumindo o protagonismo, a proposta até empolga no papel. O problema é que, na prática, o filme consegue se sustentar como spin-off, mas não acrescenta em nada na franquia original.

    A história gira em torno de Eve (Ana de Armas), uma assassina que busca vingança. O problema nem é a simplicidade do enredo, mas sim a forma rasa como tudo é conduzido. O filme não se esforça pra aprofundar o drama da personagem ou criar uma conexão emocional com o público. Parece que a trama está lá só pra costurar uma cena de luta na outra. O vilão, interpretado por Gabriel Byrne, até tem uns momentos de falação e pose de chefão manipulador, mas quando a ação começa, ele praticamente desaparece. E os capangas? São tão genéricos que a gente nem lembra quem bateu ou apanhou.

    Ana de Armas como Eve em Bailarina (Reprodução / Lionsgate)
    Ana de Armas como Eve em Bailarina (Reprodução / Lionsgate)

    Dirigido por Len Wiseman, Bailarina entrega algumas cenas de ação criativas e até inventivas — tem luta com patins de gelo, pratos de vidro e até lança-chamas, tudo com a mão de Chad Stahelsk na coordenação das lutas. Mas se por um lado isso resgata um pouco do espírito “Wick”, por outro, a trama genérica de vingança e a falta de profundidade emocional deixam tudo meio… vazio.

    Ana de Armas manda bem nas coreografias. Ela tem presença e uma agilidade que combina com o tipo de combate mais rápido e fluido que o filme propõe. Mas, inevitavelmente, bate a comparação com John Wick. E é aí que Bailarina tropeça. Enquanto Keanu Reeves dava ao Wick uma humanidade impressionante, mostrando vulnerabilidade: mancava, sangrava. Eve parece invencível. Ela apanha, mas levanta como se nada tivesse acontecido. Isso tira a tensão das cenas e afasta o público daquela sensação de risco real que tornou a franquia tão envolvente.

    Ana de Armas como Eve em Bailarina (Reprodução / Paris Filmes)
    Ana de Armas como Eve em Bailarina (Reprodução / Paris Filmes)

    No fim das contas, Bailarina é um spin-off que tenta expandir o universo de John Wick com uma nova protagonista, novos conflitos e mais pancadaria estilosa. Até consegue entreter, principalmente por estar ligado a um mundo que a galera já curte. Mas ainda falta chão. Falta um vilão marcante, um arco emocional que prenda e, principalmente, a sensação de que estamos vendo algo que realmente justifica existir por si só.

    Bailarina: Do Universo de John Wick chega aos cinemas nessa quinta-feira (5).

    Confira o trailer:


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    Jornalista carioca formado pela Estácio. Possui experiência com redação jornalística, assessoria de imprensa, cobertura de eventos, revisão de texto e social media. É redador do Spun Orgânico desde junho de 2024 e escreve sobre entretenimento, famosos e moda. Contato: [email protected]

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