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11/03/2017 19:39

Série de TV - "Feud" apresenta a emblemática rivalidade entre Joan Crawford e Bette Davis

por Marcos Petrucelli


"Feud", série de TV americana que acaba de estrear nos Estados Unidos, pretende explorar alguns dos maiores duelos da história. Apenas um episódio foi exibido e já é possível afirmar que se trata de mais uma série espetacular, para variar, com a assinatura de Ryan Murphy ("American Crime Story").

A primeira temporada de "Feud" (feudo, numa tradução literal) se passa em Hollywood entre o final dos dourados anos de 1950 e início dos anos 1960. É um deleite para quem já conhece um pouco das histórias dos bastidores de Hollywood, sobretudo aquelas que envolvem guerra de egos, disputas amorosas e os intermináveis conflitos entre as celebridades da maior indústria de cinema do mundo. Se Hollywood, por meio dos filmes e seus protagonistas, já é dos mais interessantes objetos de apreciação enquanto máquina dos sonhos, é por sua vez um caso de estudo obrigatório quando se trata de negócios.

Nesse ambiente turbulento, enquanto se produz arte da melhor qualidade sem tirar o foco dos resultados (o que significa muitos dólares no caixa), o grande duelo retratado na série se dá entre Joan Crawford e Bette Davis - atrizes indiscutivelmente brilhantes, mas duas divas birrentas e rivais, que passaram a vida trocando farpas e grosserias uma com a outra e, obviamente, disputando os holofotes.

A rivalidade entre Joan Crawford e Bette Davis era conhecida por todos havia décadas. Entre os anos de 1930 e 1940, Bette já era um dos maiores nomes da Warner, enquanto Joan bilhava nos estúdios da MGM. Bette exibia na estante da sala duas estatuetas do Oscar, uma de 1935 por "Perigosa" e outra de 1938 por "Jezebel". Joan tinha apenas um Oscar, conquistado em 1945 por "Almas em Suplício", mas a carreira continha inúmeros sucessos de crítica e público. Uma se considerava mais atriz que a outra. Joan, que além do enorme talento exibia uma beleza esfuziante, provocava a adversária afirmando que ela era feia demais. Bette, sem papas na língua, dava o troco dizendo que Joan já havia dormido com todos os astros da MGM. "Exceto a Lassie", completava.

Naqueles últimos anos de 1950, o cenário era de mudanças. O cinema sofrera um grande impacto com o surgimento da TV, que conquistava mais adeptos a passos largos. Hollywood precisava fazer novas apostas e em nenhuma delas cabiam atrizes cinquentonas como Joan Crawford (Jessica Lange) e Bette Davis (Susan Sarandon). Joan estava sem dinheiro e corria alucinadamente atrás de produtores em busca de um bom roteiro. Bette tentava se virar fazendo teatro na Broadway, a muitos quilômetros de Hollywood.

Eis que cai nas mãos de Joan um livro que mudaria tudo: "What Ever Happened to Baby Jane?", ou "O Que Terá Acontecido a Baby Jane", uma trama de terror e suspense sobre duas irmãs em conflito mortal. A atriz procura então o produtor e diretor Robert Aldrich (Alfred Molina), que se interessa em levar a história para o cinema, mas não acredita quando Joan revela quem ela gostaria de ter no elenco fazendo o papel de sua irmã. Joan Crawford poderia ser chamada de qualquer coisa, menos de burra. Ela logo compreendeu que Hollywood poderia descartar uma ou outra, mas jamais essas duas rivais ao mesmo tempo e principalmente se estivessem juntas num filme, pela primeira vez. O marketing estava pronto e embalado.

Em "O Que Terá Acontecido a Baby Jane" Bette é a Baby Jane do título, uma decadente ex-estrela mirim que vive à beira da loucura. Joan faz o papel de Blanche, a irmã presa a uma cadeira de rodas que tenta com todas as forças sobreviver aos episódios de insanidade de Baby Jane. Durante as filmagens, Robert Aldrich fez o possível para atender às exigências das duas estrelas e o impossível para conter os ataques de nervos e provocações de ambas. Lançado em 1962, "O Que Terá Acontecido a Baby Jane" foi aclamado pela crítica e tornou-se um sucesso de público, já que as pessoas não perderiam a oportunidade de ver na tela este duelo tão emblemático da vida real.

Com uma produção impecável, "Feud" retrata com doses certeiras de fidelidade e exageros dramatúrgicos essa que foi uma das rixas mais célebres e duradouras de Hollywood. Mesmo com o êxito do filme, o que realavancou as carreiras de Joan Crawford e Bette Davis, as duas continuaram brigando - literalmente - até o fim da vida. Joan Crawford morreu no dia 10 de maio de 1977, aos 73 anos. Aos jornais, Bette Davis declarou: "Não se deve falar mal de quem já se foi, mais sim falar coisas boas.... Que bom, Joan Crawford morreu! Mais cínica e cruel, impossível!





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