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02/09/2015 12:07

Grande Prêmio do Cinema Brasileiro - Melhor Longa-Metragem de Comédia, que piada!

Por Marcos Petrucelli


A primeira constatação, que parece óbvia, é que o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro só serve mesmo para massagear o ego dos artistas, como bem lembrou o fotógrafo/cineasta Walter Carvalho, que levou o prêmio de Melhor Longa-Metragem Documentário por Brincante. "É um cafuné no ego", disse Carvalho ao receber o troféu Grande Otelo na noite desta terça-feira, no Cine Odeon, Rio de Janeiro.

O maior problema desse evento, que premia os melhores filmes brasileiros e estrangeiros, é a data em que ele acontece. Premiações como Globo de Ouro e Oscar, por exemplo, acontecem no começo no ano, quando a maioria do concorrentes ainda permance ocupando as salas de cinema dos Estados Unidos e muitos deles farão a estreia comercial em outros tantos países. Ser indicado, ou melhor ainda, ganhar um desses prêmios faz com que o público corra para os cinemas. Esse é o ponto.

Mas na premiação brasileira é diferente. Os concorrentes todos são filmes que já passaram nos cinemas há vários meses, portanto concluíram sua carreria comercial - em muitos casos, uma carreira pífia. Ou seja, como do ponto de vista mercadológico o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro tem efeito nulo (os fimes ganhadores jamais voltam ao circuito comercial), o que sobra é somente um cafuné. Fazer cinema é lindo, ganhar um prêmio é muito bacana, mas o Brasil ainda teima em não pensar seriamente no mercado.

Essa constatação causa ainda mais estranheza quando sabemos que o cineasta Roberto Farias, grande e justo homeanageado da noite, revelou em seu discurso que em 51 anos de carreira realizou 13 longas, acumulando (em suas próprias contas) mais de 26 milhões de espectadores. "Todos os filmes que eu fiz eu pensei no público", disse. Roberto Farias e mais um monte de gente, hoje em dia, pensam no público.Por que então a Academia, que realiza o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, também não o faz?

A boa notícia é que, ao que tudo indica, a mudança de olhar está acontecendo. Ainda que com um descarado descaso e preconceito. O Grande Prêmio do Cinema Brasileiro realizou sua 14ª edição anual. E eis que na noite de ontem foi aunciada uma novíssima categoria: Melhor Longa-Metragem de Comédia. Muito curioso isso. Se o cinema brasileiro como um todo, desde o falecido Cinema Novo, sempre ignorou o cinema de gênero, em relação às comédias a coisa é ainda pior. Comédia é vista como subgênero. Para destacar esse descaso, o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro cria um prêmio chamado Melhor Longa-Metragem de Comédia. Que fique bem claro, não é filme brasileiro... é comédia!

Ocorre que são justamente as comédias que aquecem e posicionam o cinema brasileiro no marketshare do país, contabilizando milhões de espectadores. Ignorar esse fato é, portanto, uma tremenda burrice. Por sorte, esse descaso da Academia foi lembrado pela atriz Thalita Carauta, ganhadora do prêmio de coadjuvante pelo filme O Lobo atrás da Porta. Thalita, de formação cômica (fez fama no programa Zorra Total), lembrou em seu discurso de agradecimento que certo dia Chico Anysio a alertou: "comédias nunca são premiadas". O velho e sábio Chico errou. Mas se estivesse presente na noite de premiação de ontem, certamente ficaria decepcionado com tamanho desdém. Melhor Longa-Metragem de Comédia, que piada!!!!





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