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27/07/2011 09:23

Ator Igor Cotrim fala ao e-Pipoca sobre seu travesti na comédia "Elvis & Madona"

por Raphael Camacho e Marcos Petrucelli


Cotrim e Spoladore na comédia "Elvis & Madona"

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Antes, um aviso: não se deixe levar pelo preconceito somente porque Igor Cotrim participou do reality show "A Fazenda 2", da Rede Record. É verdade que esses programas muitas vezes apresentam figuras completamente desconhecidas e sem qualquer talento, mas definitivamente esse não é o caso de Igor. O que se prova, por exemplo, no engraçadíssimo e inteligente "Elvis & Madona", comédia dirigida por Marcelo Laffitte que deve entrar em cartaz nos cinemas brasileiros em 23 de setembro próximo.

Na história, Igor interpreta - que surpresa! - Madona. Sim, o ator faz um travesti que apresenta-se em clubes noturnos e sonha em produzir um espetáculo de Teatro de Revista. Um dia Madona conhece Elvis (a sempre graciosa Simone Spoladore), uma jovem entregadora de pizzas e pretendente a fotógrafa. Nasce então um bela amizade, que logo se transforma numa inusitada paixão. Igor Cotrin abraça seu personagem, ao mesmo tempo, com força e ternura. É no mínimo surpreendente sua atuação.

Aos 36 anos de idade, Igor é formado pela Escola de Arte Dramática da USP. Seu primeiro trabalho na TV foi no seriado juvenil "Sandy e Junior", da Rede Globo. Na mesma emissora participou da novela "Mulheres Apaixonadas", de 2003, retornando à TV em 2005 na telenovela infanto-juvenil "Floribella", da Rede Bandeirantes. Em 2008 fez parte do elenco de "Chamas da Vida", sua primeira novela na Rede Record.

Igor também atuou no teatro, participando das montagens de "O Evangelho Segundo Jesus Cristo", baseado no romance de José Saramago; "O Casamento", de Nelson Rodrigues; e "A Cozinha", de Arnold Wesker.

Entre um tabalho e outro, arriscou-se no cinema e, em 2008, conseguiu o papel do travesti Madona em "Elvis & Madona". Durante o processo de seleção do elenco, Cotrim disputou o papel com travestis da vida real.

Leia a seguir entrevista com o ator, que conversou com o colaborador do e-Pipoca, Raphael Camacho.


Como foi o teste para seleção de elenco de "Elvis & Madona"?
Bayard Tonelli, do grupo Dzi Croquettes, frequentava o mesmo evento de poesia no Leblon que eu, e depois de me ver em algumas performances, me indicou para o Laffitte (Marcelo, o diretor do filme). Fui com minha mulher Nathalie até a casa dele e cantei uma música de minha banda. Marcelo pediu que eu cantasse novamente como um travesti, cantei e consegui uma audição para o filme, quando me raspei todo e cheguei depilado, e depois de vários testes a química da dupla com a Simone (Spoladore), fui o escolhido.


Como foi fazer um travesti no cinema? Como que foi essa pesquisa para caracterizar o personagem?
Um desafio recompensador, pela complexidade e riqueza da personagem escrita pelo Laffitte. Conversei com vários travestis, fui com a Simone assistir shows de transformistas, assisti filmes, li reportagens, mas a grande inspiração foi realmente o universo feminino, observar muito as mulheres, já que Madona tem pretensões de Diva e age como uma estrela. Isso sem contar o cabelo descolorido, apliques, unhas postiças coladas com cola durante um mês e meio, andar de salto alto (e dançar também) e passar pelos mais diferentes estados de emoção que a "mocinha" do filme enfrenta para ficar com a outra mocinha do filme.


Como era o entrosamento com o elenco? Percebi muita animação e os personagens com muita alegria em cada take, era assim mesmo no dia-a-dia de filmagens?
Tinhamos nossa TROPA DO LAFFITTE, além do elenco, a técnica foi muito divertida e competente durante toda a produção, uma família mesmo. Simone é de um talento e entrega dignos de nota, Wendell tem um timmimg cômico ótimo, Sérgio Bezerra, que faz o vilão, é um verdadeiro gentleman e por aí vai...


Em relação aos festivais, o filme está passando em vários ao redor do mundo. Conte como está sendo essa experiência e a reação do público ao filme.
O filme já tem 19 prêmios, entre nacionais e internacionais, e passamos por Tribeca, Moscou, Vársóvia, Merlbourne, Paris e em todos percebemos que o maior prêmio foi a reação do público. Apesar de o casal de protagonistas, não é um filme de nicho, só voltado para os gays; ao contrário, a constatação é que o filme tem um poder cosmopolita gigantesco, sendo encarado como uma história de amor de alma.


Como foi trabalhar com o diretor Marcelo Laffitte?
Foi um prazer, nos comunicamos muito bem no trabalho e tenho muito orgulho de ter participado do sonho do Laffitte.


Em relação aos seus próximos projetos, algum mais relacionado ao cinema?
Irei fazer o papel do cartunista OTA, nas reconstituições do doc/ficção "OTA THE MOVIE", que será dirigido por Tatiana Issa e Raphael Alvarez, do documentário "Dzi Croquettes". E estarei em "O Ermitão", um roteiro de Jovany Sales Rey, sobre Feliciano Mendes, o português do século 17 que ficou rico com a extração de minério e num surto messiânico começou a levantar a Capela de Congonhas, onde existem as estátuas dos apóstolos em pedra sabão do Aleijadinho.


Mande um recado aos cinéfilos de todo o Brasil e que lêem o e-Pipoca.
Prestigiem "Elvis & Madona" nos cinemas e vamos fazer uma campanha pro filme representar o Brasil para uma vaga de melhor filme estrangeiro no Oscar (sonhar é preciso, já dizia a lady Madona).





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