siga-nos: | cadastre-se | login | contato

SERGIO REZENDE


Biografia

O carioca Sergio Rezende pensou em ser músico e advogado, mas a paixão pelo cinema desde criança mudou o rumo da história. Jovem, nos anos de 1970, ingressou no curso de cinema e são dessa época seus primeiros trabalhos - curtas-metragens como "Pra Não Dizer que Não Competi" (1974), "Leila Para Sempre Diniz" (1975) e P.S. Te Amo" (1977).

"Leila Para Sempre Diniz" foi codirigido por Mariza Leão, que Rezende conheceu ainda durante o curso de cinema e com quem veio a se casar. Juntos eles fundaram a produtora Morena Filmes, empresa que assinaria a maior parte dos trabalhos de Rezende, começando em 1980 com o documentário "Até a Última Gota", retratando o comércio de sangue na América Latina. O primeiro longa de ficção veio dois anos depois - "O Sonho Não Acabou", estrelado por Miguel Falabella e Lucélia Santos. A história, passada nos anos de 1960, mostra uma nova geração de jovens em Brasília que procura escapar do conformismo. Alguns deles experimentam drogas e, eventualmente, fazem parte do tráfico. Numa noite, todos se encontram no mesmo lugar, mas cada um terá um destino diferente. O filme marcou a estreia de Lauro Corona no cinema.

Passados mais quatro anos, Rezende realizou um de seus projetos mais importantes e até hoje considerado o seu melhor trabalho: o biográfico "O Homem da Capa Preta", que recebeu o Kikito de melhor filme no Festival de Gramado daquele ano - foram premiados, ainda, os atores José Wilker e Marieta Severo, a música de David Tygel e o próprio Sergio Rezende, conquistando o Prêmio do Júri Popular. "O Homem da Capa Preta" fala sobre a vida de Tenório Cavalcanti, um polêmico e reacionário político da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, que, entre os anos 1950 e 1960, carregava uma metralhadora apelidada de Lourdinha para desafiar a corrupção e os poderosos que dominavam o município. O personagem, feito de forma brilhante por José Wilker, dizia ter o corpo fechado e exibia as marcas de balas que tinha levado nas costas para mostrar que era invencível.

Com "O Homem da Capa Preta", Sergio Rezende inaugurou uma marca registrada em seu currículo: os filmes biográficos. Ainda que seu filme seguinte tenha sido "Doida Demais", contando uma história que mistura drama, romance e crime. Estrelado por Paulo Betti, Vera Fischer, Ítalo Rossi e mais uma vez José Wilker, a trama mostra os conflitos entre uma falsificadora de quadros e seu sócio e amante. Também exibido na competição de Gramado, o filme saiu do festival com os prêmios de Ator Coadjuvante (Ítalo Rossi), Direção de Arte, Música Original e Som.

A partir de 1994, Rezende engatilhou três filmes biográficos: "Lamarca" acompanha os dois últimos anos da vida do Capitão Carlos Lamarca (Paulo Beti), desde o momento em que decide fazer uma opção radical pela revolução armada no auge da ditadura militar, enviando a mulher e os filhos para Cuba, e desertando do Exército, até sua morte em 1971; "Guerra de Canudos" é baseado em "Os Sertões", de Euclides da Cunha, narrando a história de Antônio Conselheiro e o massacre conhecido por Guerra de Canudos que deu fim a ele e a seus seguidores; "Mauá: O Imperador e o Rei" descreve a vida do gaúcho Irineu Evangelista de Souza que, aos 9 anos, órfão de pai, vai para o Rio de Janeiro trabalhar no comércio. Graças a sua impressionante capacidade para os negócios, ganha o reconhecimento do escocês Richard Carruthers, que o "educa" segundo as inovadoras regras do liberalismo. Poucos anos depois, Carruthers volta para a Inglaterra deixando Irineu, com apenas 22 anos de idade, no comando dos seus negócios. Por causa desse filme, o diretor entrou numa disputa judicial com Jorge Caldeira, autor do livro "Mauá: Empresário do Império", que acusou Sergio Rezende de plágio por usar dialógos inteiros de seu livro no filme.

Nos dois trabalhos seguintes, Rezende deixa as biografias de lado para filmar roteiros originais. Em "Quase Nada", uma coprodução com o México, o filme é dividido em três histórias que discutem o uso da violência para resolver assuntos que, na verdade, poderiam ser resolvidos de outras maneiras mais civilizadas; com "Onde Anda Você" mais uma vez escala José Wilker, agora ao lado do experiente Juca de Oliveira. É este quem faz o personagem principal, Felício Barreto, um comediante veterano que vive triste e solitário. Em busca de ser novamente feliz, ele passa a inventar uma aventura delirante, onde reencontra seu antigo parceiro e sua ex-esposa, ambos já falecidos. Em sua saga Felício é levado da fria São Paulo para um lugar paradisíaco, onde encontra uma atraente mulher.

Com o visível crescimento do cinema brasileiro, em 2006 Rezende pôde se arricar para construir uma produção tecnicamente mais ousada. De quabra, voltou ao temas biográfico com o lançamento do belo "Zuzu Angel", sobre a vida da estilista mineira Zuleika Angel Jones, ou apenas Zuzu Angel, que nasceu em Curvelo, Minas Gerais. Entre as décadas de 1960 e 1970, Zuzu foi responsável por levar a moda brasileira para o exterior. Mas sua persona também ficou conhecida pela intensa batalha contra o regime militar quando o filho, Stuart Angel Jones, era militante e foi preso em 14 de maio de 1971 pelos agentes do CISA, sendo então torturado e assassinado.

Em 2009, com "Salve Geral!", Rezende faz um filme com todos os ingredientes de uma superprodução (inclusive o orçamento, de quase R$ 9 milhões). A obra não é uma biografia de um personagem específico, mas sim de um momento que tristemente entrou para a história brasileira. A premissa do diretor é uma personagem fictícia - Lúcia, uma professora de piano que vê o filho adolescente ser preso após este se envolver num acidente de carro que acaba em morte. É a partir daqui que o fato histórico permeia a trama. Atrás das grades, o jovem toma partido de um grupo de presidiários chamado Comando. A mãe, que em suas visitas ao presídio acompanha o cotidiano do filho, logo passa a fazer parte daquele mundo. E com a interferência da advogada do Comando, Lúcia aos poucos se transforma em peça-chave de um jogo perigoso. No caso, os ataques orquestrados pela facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no fim de semana do Dia das Mães, em 2006, na capital paulista.